Trump suspende nova lei de sanções contra a Rússia dias antes de entrar em vigor; Zelensky diz que a decisão está "errada"
Uma ordem executiva assinada na sexta-feira à noite suspende sanções e tarifas que o Congresso aprovou e Trump sancionou em setembro. O secretário de Estado Rubio falou em pausa de 60 dias; parlamentares dos dois partidos criticaram, e Moscou comemorou.
O presidente dos EUA, Donald Trump, suspendeu várias novas sanções contra a Rússia dois dias antes de entrarem em vigor, informaram a BBC e a AP. As medidas haviam sido aprovadas pelo Congresso e sancionadas por Trump em setembro.
O que foi suspenso
- Trump assinou uma ordem executiva na sexta-feira, 16 de outubro, à noite, dizendo que suspender parte das medidas era do interesse nacional.
- Segundo a BBC, a lei dava ao presidente amplos poderes para impor tarifas de até 100% sobre importações dos cinco maiores compradores de petróleo e gás russos, principalmente China e Índia, e previa sanções contra altas figuras russas, incluindo Vladimir Putin, instituições financeiras russas e a chamada “frota fantasma” de petroleiros.
- O secretário de Estado, Marco Rubio, disse que se trata de uma pausa de 60 dias para o governo analisar o possível impacto na economia americana e mundial, segundo a BBC.
Reações
- Volodymyr Zelensky disse que os EUA decidiram “ignorar completamente” a lei, que “deveria exercer uma pressão realmente eficaz sobre a Rússia para acabar com esta guerra”. “A decisão de desfazer tudo isso, de bloquear tudo, me parece errada… Isso definitivamente só ajuda os russos”, escreveu no X, segundo a Reuters. Ele prevê mais alívio de sanções por parte dos EUA.
- O enviado do Kremlin Kirill Dmitriev chamou a ordem de “momento importante e verdadeiramente histórico”, dizendo que as sanções teriam causado “sérios danos” aos EUA e ao mercado global.
- As críticas vieram dos dois partidos. O deputado democrata Don Beyer acusou Trump de capitular diante de Moscou. Os senadores republicanos Ted Cruz (que chamou de erro), John Cornyn (“imprudente”) e Thom Tillis (“mais do que irresponsável”) também se opuseram, segundo a BBC.
Contexto
As relações entre Washington e Kiev pioraram depois que os EUA concordaram na semana passada em importar diesel russo para baixar os preços dos combustíveis, que dispararam com a guerra do Irã. A suspensão coincidiu com o que Zelensky chamou de um dos maiores ataques russos ao sistema de energia da Ucrânia.
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