Real cai cerca de 12% e futuros do Ibovespa despencam quase 15% após vitória surpresa de Lula
Investidores que tinham apostado numa vitória da direita venderam ativos brasileiros na segunda-feira após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. As atenções voltam-se agora para a escolha do ministro da Fazenda e para o plano para a dívida pública, já acima de 82% do PIB.
Os mercados brasileiros enfrentaram forte venda na segunda-feira depois de Luiz Inácio Lula da Silva vencer o segundo turno presidencial de domingo, desfazendo as apostas numa vitória da direita, segundo a Reuters. O real desvalorizou cerca de 12% face ao dólar no início das negociações, os futuros do Ibovespa caíram quase 15% e os juros futuros subiram com força. Os títulos internacionais de longo prazo também caíram; o de 2056 recuou quase 3 centavos.
Por que a reação foi tão forte
Os mercados tinham subido depois de Flávio Bolsonaro terminar inesperadamente em primeiro no primeiro turno, a 4 de outubro: na sexta-feira as ações estavam quase 7% acima do nível anterior e o real quase 5% mais forte. O mercado de previsões Kalshi dava mais de 75% de probabilidade a Bolsonaro. A sua recusa em reconhecer a derrota e o pedido de anulação aumentaram a incerteza.
O que os investidores querem agora
Estrategistas ouvidos pela Reuters dizem que o sinal-chave será a escolha do novo ministro da Fazenda e um compromisso credível com a disciplina fiscal. A equipa de Lula mira um superávit primário de cerca de 1,3% do PIB até 2030, mas a dívida pública já supera 82% do PIB e as despesas obrigatórias, como a previdência, limitam o espaço para cortes.
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