20 anos do assassinato de Anna Politkovskaya: os mandantes nunca foram identificados
A jornalista da Novaya Gazeta Anna Politkovskaya, que denunciou abusos das forças russas na Chechênia, foi morta a tiros no elevador de seu prédio em Moscou em 7 de outubro de 2006, dia do 54º aniversário de Vladimir Putin. Seis homens foram condenados, mas nenhum tribunal identificou quem ordenou o crime.
Há vinte anos, em 7 de outubro de 2006, a correspondente especial da Novaya Gazeta Anna Politkovskaya foi morta a tiros no elevador de seu prédio no centro de Moscou. Tinha 48 anos. Segundo o Instituto Internacional de Imprensa (IPI), ela foi baleada quatro vezes, uma delas na cabeça. A data era também o 54º aniversário de Vladimir Putin, observaram a France 24 e a AFP. A RFE/RL escreveu que a coincidência levou a especulações de que o assassinato teria sido um “presente” ao presidente; não há prova estabelecida disso.
Reportagens da Chechênia
Politkovskaya ganhou reputação com sete anos de reportagens sobre a Segunda Guerra da Chechênia, onde, segundo o IPI, documentou tortura, desaparecimentos e abusos das forças russas. A RFE/RL a descreve como uma repórter que “expôs a brutalidade da guerra russa na Chechênia”.
Seu trabalho provocou retaliações. Segundo o IPI, agentes de segurança russos a detiveram na Chechênia em fevereiro de 2001 e a mantiveram por três dias num fosso sem comida nem água, enquanto um oficial ameaçava fuzilá-la. Em seu próprio relato publicado, ela descreveu ter sido espancada e humilhada por oficiais e submetida a uma execução simulada. Em 2004 foi envenenada num voo quando viajava para cobrir o cerco à escola de Beslan, informa o IPI.
Condenações, mas sem mandante
Em 2014, um tribunal de Moscou condenou à prisão perpétua o atirador, Rustam Makhmudov, e Lom-Ali Gaitukayev, condenado por organizar o assassinato; o ex-policial Sergei Khadzhikurbanov recebeu 20 anos, segundo a RFE/RL. Outros dois irmãos Makhmudov também foram condenados, e em 2012 o ex-policial Dmitry Pavlyuchenkov recebeu 11 anos após confessar ter organizado a vigilância da jornalista. No total, seis homens foram condenados.
Ninguém jamais foi julgado como mandante do assassinato. O prazo de prescrição expirou em 2021, diz o IPI, e em 2018 o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos decidiu que a Rússia não investigou de forma eficaz quem encomendou o crime. Em 2023, Putin indultou Khadzhikurbanov depois que ele lutou na guerra da Rússia contra a Ucrânia. Questionado sobre o caso em 2021, Putin disse que as autoridades haviam “feito tudo para elucidar esses crimes”, noticiou a France 24.
No aniversário, a União Europeia pediu “uma investigação eficaz, independente e transparente que leve todos os responsáveis à justiça”.
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