Títulos franceses são vendidos após protestos violentos e diferencial com a Alemanha se aproxima do maior em 14 anos
O juro do título francês de 10 anos saltou para 4,94% em 19 de outubro, perto do maior em 24 anos, com os tumultos do fim de semana a aumentar as dúvidas sobre o corte do défice; na terça-feira houve alguma acalmia.
As obrigações e ações francesas sofreram uma nova onda de vendas na segunda-feira, 19 de outubro, após um fim de semana de protestos violentos em que edifícios públicos foram incendiados, centenas de lojas saqueadas e milhares de pessoas detidas, noticiou o The Guardian.
Os números
- O juro do título a 10 anos subiu até 16 pontos-base, para 4,94%, perto do maior em 24 anos.
- O diferencial entre os títulos franceses e alemães a 10 anos, medida do prémio de risco da dívida francesa, aproximou-se do nível mais alto em 14 anos.
- O título a 2 anos subiu 9 pontos-base, para 3,64%, e o de 30 anos 10 pontos, para 5,46%.
- O euro caiu para o mínimo de 17 meses face à libra e chegou a recuar 0,4% face ao dólar, para 1,1197 dólares.
- O CAC 40 caiu 1,4%; Société Générale e BNP Paribas perderam mais de 3%. O FTSE MIB italiano caiu 1,6% e o Ibex espanhol 1,9%.
Por que os investidores estão preocupados
Os analistas consideram que os tumultos vão dificultar a aprovação de um orçamento para 2027 que corta despesas com pensões e o financiamento dos ministérios. A dívida francesa era de 115,6% do PIB em 2025 e o défice de 5,1%. O Goldman Sachs disse que os desafios orçamentais, “especialmente em França”, parecem mais difíceis agora do que em 2011-15, embora o risco de contágio desordenado seja menor. Jim Reid, do Deutsche Bank, afirmou que os protestos “não vão facilitar” a compra de dívida francesa por investidores internacionais.
Na terça-feira, os juros franceses recuaram ligeiramente após a maior subida diária em cerca de um mês, e as cidades francesas tiveram uma noite calma sob recolher obrigatório, segundo a Reuters. Grupos de protesto convocaram novas manifestações para sábado. As perdas seguradas com os tumultos foram estimadas em até cerca de 1,1 mil milhões de euros, segundo o blogue económico do The Guardian.
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