Quarto Serviço do FSB está por trás de processos por doações ao FBK contra cientistas e professores, aponta Mediazona
Documentos judiciais mostram que os processos criminais contra pesquisadores por pequenas doações à Fundação Anticorrupção de Alexei Navalny são iniciados por uma unidade do Quarto Serviço do FSB, encarregado da segurança econômica, informou a Mediazona em 20 de outubro de 2026.
Os processos criminais por «financiamento do extremismo» contra cientistas e professores universitários russos por doações à Fundação Anticorrupção (FBK) são iniciados pelo 4.º departamento da Diretoria «P» do Quarto Serviço do FSB, informou a Mediazona em 20 de outubro de 2026. A Novaya Gazeta Europa também noticiou as conclusões. Segundo a Mediazona, essa unidade iniciou no último ano pelo menos três processos desse tipo contra cientistas.
O que mostram os autos
- Sofia Rosenfeld, ornitóloga do Instituto de Problemas de Ecologia e Evolução da Academia de Ciências, foi condenada em 7 de outubro pelo tribunal distrital Gagarinsky de Moscou a 3,5 anos de colônia penal por duas transferências de 1.000 rublos cada ao FBK. Segundo a Mediazona, ela é a terceira mulher na Rússia a receber pena de prisão efetiva por doar à organização de Navalny.
- No processo dela, um agente do «Centro E» de Moscou, Fiodor Klapov, declarou que em setembro de 2025 recebeu do 4.º departamento da Diretoria «P» do Quarto Serviço do FSB um «material de verificação» sobre Rosenfeld. O material dizia que ela estava «possivelmente envolvida no financiamento do FBK». Segundo os autos, um agente sênior do mesmo departamento chamado Zotkin redigiu em 28 de agosto de 2025 um relatório «sobre a descoberta de indícios de crime».
- Há cerca de um ano, um tribunal de Dubna multou o físico Dmitri Kazakov em 300 mil rublos por duas transferências de 500 rublos. Segundo a sentença, os investigadores voltaram-se para ele após uma carta secreta «do 4.º Serviço da UZKS do FSB». A Mediazona observa que não está totalmente claro de que serviço se trata: a sigla UZKS aponta para o Segundo Serviço do FSB, enquanto o Quarto cuida da «segurança econômica».
- Um cientista processado em caso semelhante disse à Mediazona, sob anonimato, que um agente do Centro E lhe disse que «eles cuidam do Skoltech e da Escola Superior de Economia».
Uma onda de processos
Na primavera de 2026, a Mediazona contou seis processos por «financiamento do extremismo» contra funcionários da Academia de Ciências que chegaram aos tribunais de Moscou. Contou também pelo menos três especialistas do Skoltech, três funcionários de subsidiárias da Rosatom e dois professores da Escola Superior de Economia acusados. Entre eles está o matemático Andrei Dymov, de 38 anos, professor associado da HSE e pesquisador sênior do Instituto Matemático Steklov. Em maio de 2026, o tribunal distrital Zyuzinsky de Moscou condenou-o a 3,5 anos em colônia de regime geral.
Contexto
- O FBK é a organização anticorrupção fundada pelo político oposicionista Alexei Navalny. Em 9 de junho de 2021, o Tribunal Municipal de Moscou acolheu a ação do Ministério Público, liquidou o FBK e proibiu os escritórios regionais de Navalny. A imprensa russa noticiou que o tribunal os declarou organizações «extremistas». Como explicou na altura a RBC, os doadores podem ser processados pelo artigo 282.3 do Código Penal (financiamento de atividade extremista), independentemente do valor, com pena de até 10 anos de prisão. A promotoria acusou as organizações de tentar desestabilizar a Rússia; a equipe de Navalny rejeitou as acusações e recorreu.
- O Quarto Serviço do FSB, também chamado Serviço de Segurança Econômica (SEB), cuida da «segurança econômica», escreve a Mediazona. Segundo o Centro Dossier, os agentes da sua Diretoria «P» fazem o «apoio de contrainteligência à indústria» e supervisionam corporações estatais de tecnologia como a Rostec, a Rusnano e a Roscosmos.
- No seu balanço de 2025, o OVD-Info (segundo a Meduza) registrou 46 novos processos por doações ao FBK nesse ano, 120 pessoas processadas no total e 74 sentenças proferidas em 2025.
As reportagens da Mediazona e da Novaya Gazeta Europa não incluem comentários do FSB.
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