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Health Análise

Estudo piloto com psilocibina na doença de Lyme pós-tratamento: sintomas 40% menores em seis meses, mas sem grupo controle

Um estudo piloto aberto da Johns Hopkins com 20 pessoas com sintomas persistentes após tratamento da doença de Lyme encontrou carga de sintomas cerca de 40% menor seis meses após duas sessões de psilocibina com apoio psicológico. Sem grupo controle, não é possível afirmar que a droga causou a melhora.

Um pequeno estudo da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, publicado na Scientific Reports e noticiado pelo PsyPost em 3 de outubro de 2026, testou a psilocibina — o composto psicoativo dos “cogumelos mágicos” — em pessoas com doença de Lyme pós-tratamento (PTLD).

A condição

A doença de Lyme é uma infecção bacteriana transmitida por carrapatos que costuma responder a antibióticos, mas estima-se que 10% a 20% dos pacientes continuem com fadiga, dor, problemas de sono ou de concentração após o tratamento. Não há tratamento estabelecido para a PTLD, e sintomas persistentes não significam necessariamente que a infecção ainda esteja ativa.

O que os pesquisadores fizeram

  • Desenho: estudo piloto aberto, sem grupo controle; todos sabiam que recebiam psilocibina.
  • Participantes: 20 adultos com doença de Lyme documentada e tratada e sintomas persistentes (486 pessoas passaram pela pré-triagem). Idade média de 44 anos, 11 mulheres, 90% brancos, duração mediana da doença de 5,7 anos.
  • Tratamento: programa de 8 semanas com sessões de preparação e acompanhamento com facilitadores e duas doses supervisionadas de psilocibina — 15 mg na semana 4 e, na semana 6, 25 mg para 18 participantes (dois mantiveram 15 mg após reações fortes).

Resultados

  • No desfecho principal, um mês após a segunda dose, a carga geral de sintomas estava 42% menor que no início (52% menor em duas semanas).
  • Aos seis meses, continuava 40% menor; os escores de qualidade de vida mental e física subiram cerca de 13% cada.
  • Sintomas depressivos, sono, fadiga e dor também melhoraram.
  • Nenhum evento adverso grave foi atribuído à psilocibina. Efeitos colaterais comuns foram aumentos temporários da pressão arterial (90%), dor de cabeça (65%) e taquicardia (35%). Dois eventos graves — pensamentos suicidas passivos após iniciar um novo antidepressivo e um diagnóstico de câncer retal — foram considerados não relacionados.

Limitações

Sem grupo controle, é impossível saber se as mudanças vieram da psilocibina, do apoio psicológico, das expectativas dos participantes, da evolução natural da doença ou da regressão à média. A amostra foi pequena, majoritariamente branca e com alta escolaridade, e problemas cognitivos — queixa central da PTLD — não foram medidos. Os autores consideram os achados preliminares e defendem ensaios clínicos randomizados e controlados. A psilocibina é ilegal ou rigidamente controlada em muitos países; isto é pesquisa, não recomendação de tratamento — converse com seu médico sobre sintomas persistentes.

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