Novo Nordisk e Lilly dizem que remédios GLP-1 desaceleraram os 'relógios de envelhecimento' em pacientes de ensaios — dados de congresso não publicados
Num congresso sobre longevidade em Boston, as duas farmacêuticas relataram que semaglutida e tirzepatida reduziram medidas moleculares de idade biológica em cerca de dois a três anos frente ao placebo. São dados das empresas, ainda sem revisão por pares.
A Novo Nordisk e a Eli Lilly apresentaram no fim de semana, no congresso Aging Research & Drug Discovery em Boston, dados que sugerem que seus remédios GLP-1 desaceleram os “relógios de envelhecimento” moleculares, informou a MIT Technology Review em 6 de outubro de 2026.
O que as empresas relataram
- A Novo Nordisk analisou sangue de 10.052 pessoas de um ensaio da semaglutida (Ozempic/Wegovy) — metade com o remédio, metade com placebo — no início e meses depois, usando relógios proteômicos, que estimam a idade pelos níveis de proteínas.
- No geral, a diferença foi de cerca de “dois a três anos” de idade biológica, disse o líder de projeto da Novo Nikolaj Roed; um relógio baseado em proteínas do coração mostrou desaceleração de até 4 anos.
- A Eli Lilly fez um estudo menor com a tirzepatida (Mounjaro/Zepbound) usando relógios epigenéticos (alterações de metilação do DNA) e também viu que, na maior parte, a idade biológica avançou mais devagar com o remédio.
- O tamanho do efeito variou muito conforme o relógio e o órgão.
Por que importa — e as ressalvas
Steve Horvath (UCLA), pioneiro dos relógios de envelhecimento, chamou dois anos de “um efeito bastante forte” e disse que os dados podem indicar que os remédios são “geroprotetores”. Porém:
- São apresentações dos fabricantes num congresso, não artigos revisados por pares.
- Os participantes tinham sobrepeso ou diabetes. “Numa população saudável, ninguém sabe”, disse Vadim Gladyshev (Harvard), que ajudou a Novo nas medições.
- Os relógios são marcadores substitutos; não está provado que reduzi-los signifique viver mais e melhor.
- Os GLP-1 têm efeitos colaterais, incluindo perda de massa muscular.
Um estudo de US$ 38 milhões financiado pela agência americana ARPA-H no Texas vai testar se a semaglutida tem efeito antienvelhecimento em pessoas saudáveis acima de 60 anos. Ninguém deve começar esses remédios por longevidade sem falar com um médico.
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