Pesquisa: cerca de um em cada quatro cuidadores nos EUA já exagerou ou inventou sintomas de uma criança para obter antibióticos
Em pesquisa da JAMA Network Open com 236 cuidadores, 26,7% relataram distorcer sintomas a um clínico para conseguir antibióticos, e a maioria disse que funcionou ao menos uma vez.
O uso excessivo de antibióticos em crianças alimenta a resistência, e um novo estudo de pesquisa por questionário na JAMA Network Open (publicado em 30 de outubro de 2026) sugere que parte do problema pode começar no consultório.
O estudo
Pesquisadores dos EUA entrevistaram cuidadores em todo o país; 236 entraram na análise (de 1.371 convidados).
Resultados
- 26,7% (63 cuidadores) disseram já ter distorcido os sintomas de uma criança a um clínico para obter antibióticos.
- 24,2% exageraram sintomas reais, 23,6% inventaram sintomas inexistentes e 19,1% fizeram ambos.
- Entre esses, 87,3% disseram ter conseguido antibióticos assim ao menos uma vez, e 63,5% sentem que os clínicos não levam seus relatos a sério.
- Maiores chances de distorção se associaram a sentir-se frequentemente não ouvido, mais comorbidades, maior aceitação da mentira e menor letramento em saúde; mais conhecimento sobre antibióticos se associou a chances menores.
Os autores sugerem que o comportamento reflete problemas na relação cuidador–clínico e equívocos sobre antibióticos (que não funcionam contra infecções virais como resfriados).
Limitações
A amostra foi não probabilística e modesta, podendo não representar todos os cuidadores dos EUA; as regressões são exploratórias; e o autorrelato pode subestimar o comportamento por viés de desejabilidade social. A pesquisa mede o que os cuidadores dizem, não registros de prescrição. Em dúvida sobre antibióticos para seu filho, fale com o médico.
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