Quando um cônjuge sofre lesão cerebral traumática, o risco de morte do parceiro não lesionado é 24% maior — coorte de longo prazo nos EUA
Em 3.281 casais acompanhados por mediana de 19,5 anos, a lesão cerebral traumática de um cônjuge foi associada a maior mortalidade do outro; as associações com demência e eventos cardiovasculares não foram estatisticamente significativas.
Uma lesão cerebral traumática (LCT) pode afetar não só quem se feriu, mas também o cônjuge, sugere um estudo de coorte publicado no JAMA Network Open em 3 de novembro de 2026.
O estudo
- Tipo: estudo de coorte observacional com dados do estudo americano Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC).
- Participantes: 3.281 casais (6.562 pessoas) incluídos em 1987–1989 e acompanhados até 31 de dezembro de 2022, mediana de 19,5 anos.
- Os pesquisadores avaliaram se a LCT de um cônjuge estava associada a morte, demência ou eventos cardiovasculares graves no parceiro não lesionado.
Resultados
- A LCT do cônjuge foi associada a risco de morte 24% maior no parceiro não lesionado (hazard ratio ajustado 1,24; IC 95% 1,07–1,43).
- Os riscos de demência (HR 1,17; IC 95% 0,88–1,56) e de eventos cardiovasculares graves (HR 1,15; IC 95% 0,84–1,57) foram um pouco maiores, mas sem significância estatística.
Por que importa
Os achados apontam para possíveis efeitos na saúde de familiares, por exemplo pela carga de cuidados, embora o estudo não estabeleça o mecanismo.
Limitações
É um estudo observacional e não prova causa e efeito; pode haver confusão residual. A identificação de LCT foi incompleta, sobretudo de lesões leves, e o início da demência pode ter sido datado com imprecisão. Casais que moravam juntos sem casamento foram excluídos, e os resultados podem não valer para casais do mesmo sexo.
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