Análise: como o orçamento de guerra pressiona a saúde russa, segundo programa da Rádio Svoboda
Resumo escrito do programa «Cara a cara com o acontecimento» da Rádio Svoboda de 5 de novembro de 2026: mais carga sem aumento salarial, défice previsto do fundo de seguro médico obrigatório, cortes no projeto federal contra o cancro e falta de residentes após a lei de serviço obrigatório.
Esta é uma análise escrita de um programa de áudio. Os números são citados como foram ditos no ar; o Sardaana não verificou cada um de forma independente.
Em 5 de novembro de 2026, o programa da Rádio Svoboda «Cara a cara com o acontecimento» (Лицом к событию) exibiu o episódio «Operação especial para destruir a medicina», com o anestesiologista-intensivista Alexander Polupan e o político e sindicalista Mikhail Lobanov.
Tese principal
O programa argumenta que os problemas da «otimização» de 2010 (fecho de pequenos hospitais, substituição de alguns por postos de enfermagem rural, aumentos salariais em parte à custa de mais carga) estão agora agravados pelos gastos de guerra e pelo défice orçamental.
Números citados no programa
- O presidente do comité de saúde da Duma, Alexei Kurinny, foi citado dizendo que o gasto público com saúde fica em torno de 3,5–3,7% do PIB, contra 8–10% em países desenvolvidos, e que a Rússia está cerca de 40% atrás da Europa no gasto per capita em paridade de poder de compra.
- Citando o The Moscow Times: o fundo de seguro médico obrigatório (OMS) enfrenta um défice de cerca de 168 mil milhões de rublos no próximo ano, segundo o projeto do governo.
- Citando a nota explicativa do projeto de orçamento: o gasto federal com saúde em 2027 deve cair 3%, com forte corte no projeto federal contra o cancro.
- Uma médica de um hospital público perto de Moscovo disse ter sido demitida em outubro após recusar passar de 33 para 39 horas semanais de consultas sem aumento; o ministério regional afirmou que as normas são cumpridas. Ela contesta a demissão em tribunal.
- Citando The Insider e a BBC Russa: a Universidade Sechenov ficou 198 vagas públicas e 205 pagas abaixo da meta na residência este ano, após a lei de serviço obrigatório. O ministro da Saúde, Mikhail Murashko, disse que o número de médicos está a crescer.
O que disseram os convidados (opiniões)
- Polupan, que disse não estar na Rússia há vários anos e basear-se em relatos de colegas, considerou que a saúde já era subfinanciada antes da guerra, mas o fosso aumentou, sobretudo nas regiões, e que os jovens médicos são afastados sobretudo pelas condições de trabalho e falta de desenvolvimento profissional.
- Lobanov disse que a ação coletiva dos profissionais de saúde obteve concessões nos anos 2010 e na COVID, mas desde 2022 a repressão tornou-a muito mais arriscada; muitos emigraram por medo da mobilização.
Conclusão
O programa conclui que a falta de verbas é compensada com mais carga e coerção, o que, na visão dos convidados, agravará a escassez de pessoal nas regiões. A posição oficial citada é que as normas de carga são cumpridas e o número de médicos está a aumentar.
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