Estudo dinamarquês no JAMA associa transferência de embriões congelados e ICSI a mais câncer infantil, mas risco absoluto continua baixo
Acompanhando mais de um milhão de crianças dinamarquesas por até 20 anos, pesquisadores encontraram taxas de câncer 26% maiores após reprodução assistida em geral, puxadas pela transferência de embriões congelados e pela ICSI; a FIV convencional não mostrou aumento. O estudo é observacional e não prova causa.
Um estudo de registros publicado no JAMA em 21 de outubro de 2026 por pesquisadores do Instituto Dinamarquês do Câncer reexaminou se crianças concebidas por tecnologias de reprodução assistida (TRA) têm maior risco de câncer.
O que fizeram
- Tipo de estudo: coorte observacional com registros nacionais dinamarqueses, extensão da análise do mesmo grupo de 2019.
- 1.086.136 crianças nascidas de 1996 a 2012, das quais 37.228 concebidas por TRA, acompanhadas até os 20 anos ou o fim de 2023 (mediana de cerca de 20 anos). Houve 3.736 cânceres no total.
Principais resultados
- No geral, a incidência foi de 23,6 por 100.000 pessoas-ano após TRA contra 18,3 sem ela — aumento relativo ajustado de 26%.
- Por método, a transferência de embriões congelados foi associada a cerca de 2,2 vezes a taxa e a ICSI (injeção de um espermatozoide no óvulo) a cerca de 1,5 vez; a FIV convencional não mostrou aumento.
- Em números absolutos, a pesquisadora principal Marie Hargreave disse ao Inside Precision Medicine que a taxa foi de cerca de 41 casos por 100.000 crianças por ano após embriões congelados e 28 após ICSI, contra 18 sem TRA. Ela afirmou que “não é motivo de alarme”, mas é informação relevante ao discutir opções de tratamento.
- Resultados semelhantes entre filhos de mulheres com histórico de infertilidade sugerem aos autores que fatores ligados ao procedimento, e não a infertilidade em si, merecem mais estudo.
Limitações
Um estudo observacional mostra associações, não causalidade. Algumas estimativas por tipo de câncer se baseiam em pouquíssimos casos. As crianças nasceram entre 1996 e 2012, e a prática mudou desde então (por exemplo, vitrificação e transferência de blastocisto), por isso os autores dizem que os riscos podem não ser os mesmos com os protocolos atuais; um conjunto de dados nórdico maior está planejado. Quem considera tratamento de fertilidade deve conversar sobre as opções com o médico.
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