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Health Notícia

Estudo: o calor deste verão matou cerca de 50 mil pessoas em cidades europeias, dois terços devido às alterações climáticas

Investigadores do Imperial College London estimam 50.391 mortes relacionadas com o calor em 854 cidades europeias entre junho e agosto de 2026, das quais 32.619 são atribuídas ao aquecimento causado pelo ser humano. São estimativas de modelos e os autores dizem que o número real será provavelmente maior.

O calor recorde deste verão na Europa foi associado a cerca de 50.391 mortes estimadas em 854 cidades, e 32.619 delas — quase dois terços — não teriam acontecido sem as alterações climáticas causadas pelo ser humano, segundo um estudo de investigadores do Imperial College London noticiado pela AP e pela The BMJ. A AP diz que o estudo sairá num próximo número da Nature Health.

Números principais

  • O balanço é cerca de 71% superior ao do anterior verão mais mortífero na série dos mesmos investigadores, 2022 (29.480 mortes).
  • Cerca de um terço das mortes ocorreu na intensa onda de calor de 17 de junho a 1 de julho, com temperaturas 5,3 °C acima do normal, disse à AP o coautor Garyfallos Konstantinoudis.
  • Mais de metade das vítimas tinha 85 anos ou mais, mas morreram também mais de 800 pessoas entre os 20 e os 44 anos. Itália, França, Espanha e Alemanha tiveram os maiores números.
  • A proporção de mortes por calor atribuíveis ao aquecimento passou de cerca de 45% no início dos anos 2000 para cerca de 65% agora, segundo a autora principal, Clair Barnes.

Como foi calculado — e limitações

Trata-se de um estudo de modelação, não de uma contagem de certidões de óbito: as mortes por calor muitas vezes não são registadas como tal. A equipa estimou o excesso de mortes a partir de relações temperatura-mortalidade por cidade e idade e comparou o verão real com simulações de um mundo sem alterações climáticas. As cidades cobrem apenas cerca de 40% da população europeia e uma onda de calor mortal em maio ficou de fora, pelo que os autores consideram os números subestimados. Como verificação, o método deu cerca de 2.700 mortes em excesso nas ondas de calor britânicas de maio e junho, perto das 2.800 do instituto de estatística do Reino Unido, segundo a AP.

Especialistas citados pela AP defenderam sistemas de alerta precoce para o calor, acesso a arrefecimento de baixo carbono e redes de apoio a vizinhos vulneráveis, a par da redução do uso de combustíveis fósseis.

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