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«Dark Clark»: OpenAI diz que rede russa usou o ChatGPT para gerir um falso centro de estudos e desinformação na América Latina

Segundo um relatório da OpenAI descrito pela Rádio Svoboda, operadores na Rússia ligados à antiga «Companhia» de Prigozhin usaram o ChatGPT para gerir um falso centro de pesquisa e afinar desinformação contra a Ucrânia e os governos da Argentina, Bolívia, Brasil, Peru, Equador e Panamá.

A OpenAI afirma ter desmantelado uma grande rede russa de influência encoberta, a que chamou «Dark Clark», informou a Rádio Svoboda (serviço russo da RFE/RL) em 19 de outubro de 2026. Segundo a empresa, a operação visava a América Latina; a OpenAI disse ter bloqueado também uma operação iraniana distinta. O que segue são afirmações da OpenAI resumidas pela Rádio Svoboda.

Quem estava por trás

Segundo a OpenAI, a rede era operada a partir da Rússia através de VPN comerciais, e entre os operadores haveria supostos oficiais da inteligência militar russa (GRU). A OpenAI ligou-a a uma organização russa chamada «Politologia», também conhecida como «a Companhia», que a Rádio Svoboda descreve como uma das sucessoras das estruturas do falecido Ievgueni Prigozhin, como o Wagner e a Agência de Pesquisa da Internet. A maioria dos operadores escrevia ao ChatGPT em russo; um escrevia em espanhol, mas também estava na Rússia, segundo o relatório.

Como a IA foi usada

A OpenAI diz que o ChatGPT não foi usado sobretudo para produzir publicações em massa, mas como secretária, analista e tradutora. Teve três usos principais:

  • redigir e atualizar relatórios internos para um supervisor não identificado;
  • afinar a propaganda para soar local, incluindo traduções para variantes regionais do espanhol e do português;
  • gerir um falso «Centro de Pesquisa Social» (CSI).

O centro tinha como rosto uma diretora inventada, «Mia Clark», que dá nome à operação. Segundo a OpenAI, contratou investigadores, sociólogos e jornalistas latino-americanos reais que não sabiam quem estava por trás, e publicou mais de 60 artigos originais sobre temas neutros, como a expansão do BRICS. A OpenAI chamou-lhe a fachada com identidade falsa mais elaborada desmantelada pelas grandes tecnológicas nos últimos dois anos e meio. A Rádio Svoboda compara-a à operação «PeaceData», ligada a Prigozhin, que a Meta e outros desmantelaram em 2020.

A OpenAI classificou a campanha no nível 5 de 6 da «Breakout Scale», criada em 2020 pelo investigador Ben Nimmo. Segundo a OpenAI, é a primeira operação de influência com IA documentada em detalhe a atingir esse nível, em que figuras públicas de destaque amplificam o conteúdo.

Exemplos citados

  • Peru (maio de 2026): um e-mail falsificado, semelhante ao da autoridade regional de educação de Lima, mandou as escolas dar aulas de solidariedade com a Ucrânia e mencionar repetidamente Stepan Bandera. Algumas escolas enviaram relatórios com fotos. Depois surgiram artigos em meios peruanos e polacos, e num meio em inglês da Hungria, alegando que a Ucrânia «exporta ideologias ultranacionalistas». Um eurodeputado polaco reagiu publicamente, segundo a OpenAI.
  • Equador (junho): uma ordem falsa do Ministério da Educação mandava os alunos jurar lealdade ao presidente Daniel Noboa e ao fundador da Blackwater, Erik Prince. O ministro da Educação desmentiu publicamente. Outras falsificações citadas são um áudio atribuído ao cônsul honorário da Ucrânia e um vídeo feito com IA segundo o qual o governo recrutava jovens para combater na Ucrânia; verificadores desmentiram-no no início de abril.
  • Bolívia: um áudio falso de um suposto funcionário do banco central a alertar para limites ao levantamento de dinheiro, uma carta falsificada sobre restrições ao combustível e um áudio falso sobre cortes de água em La Paz. Segundo a OpenAI, estas publicações foram removidas ou tiveram pouco alcance.
  • Argentina (2024): relatórios internos descrevem campanhas contra o presidente Javier Milei, incluindo uma história falsa sobre coleiras de luxo da Cartier para os seus cães e grafites contra Milei pagos em Buenos Aires.
  • Brasil: uma história criada com IA sobre uma modelo brasileira fictícia supostamente levada para Kiev por funcionários da embaixada ucraniana e assassinada.

A OpenAI defende que a contratação local, as organizações de fachada credíveis e a tradução por IA ajustada a cada dialeto tornam estas campanhas mais difíceis de detetar do que as fábricas de trolls tradicionais. O artigo da Rádio Svoboda não inclui qualquer resposta da Rússia.

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