Risco de coágulos com analgésicos e a pílula pode dever-se à doença subjacente, sugere grande estudo europeu
Um estudo com mais de 3 milhões de mulheres que usavam contraceção hormonal em quatro países europeus concluiu que o risco de coágulos começava a subir antes do início dos AINE e mostrava um padrão semelhante com o paracetamol, sugerindo que a condição tratada explica pelo menos parte do risco.
O maior risco de coágulos nas veias (tromboembolismo venoso, TEV) observado em mulheres que tomam anti-inflamatórios não esteroides (AINE) enquanto usam contracetivos hormonais pode dever-se em grande parte ao problema de saúde que leva a tomar os analgésicos, e não aos medicamentos em si, segundo um estudo publicado na The Lancet Obstetrics, Gynaecology, & Women’s Health.
O estudo
- Foram usados registos nacionais da Dinamarca e da Noruega e registos clínicos eletrónicos de Espanha e do Reino Unido, abrangendo mais de 3 milhões de mulheres dos 15 aos 49 anos que usaram contraceção hormonal entre 2014 e 2024.
- Com um desenho de série de casos autocontrolada, cada mulher com TEV foi comparada consigo própria: períodos só com contracetivos versus antes, durante e depois de um AINE prescrito.
- Nos quatro países, o risco começou a subir nas duas semanas anteriores ao início do AINE, atingiu o pico no primeiro dia, manteve-se elevado durante o uso e desceu depois. Os resultados foram semelhantes para ibuprofeno, diclofenac e naproxeno.
- Um padrão semelhante surgiu com o paracetamol prescrito, usado como «controlo negativo» por não estar associado a maior risco de TEV — apontando para a doença subjacente.
O que recomendam os autores
Em vez de desencorajar o uso breve de AINE em mulheres com contraceção hormonal, sugerem que os médicos se concentrem em identificar e gerir os fatores de risco de coágulos existentes, incluindo o motivo da prescrição.
Limitações
É um estudo observacional e os autores afirmam que não pode excluir um efeito direto dos AINE no risco de coágulos. O uso de AINE sem receita não foi registado e algumas estimativas foram imprecisas porque poucas mulheres tiveram TEV. É necessária mais investigação. Quem tiver dúvidas sobre contraceção ou analgésicos deve falar com o médico ou farmacêutico.
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