Colocar DIU hormonal durante ablação endometrial reduziu pela metade as histerectomias posteriores, mostra estudo na Lancet
No estudo holandês MIRA2, com 715 mulheres com sangramento menstrual intenso, cerca de 4% das que receberam DIU de levonorgestrel durante a ablação precisaram de histerectomia em dois anos, contra 10% com ablação isolada.
Um estudo randomizado publicado na The Lancet em 22 de outubro de 2026 sugere que inserir um sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (DIU hormonal, como o Mirena) ao fim de uma ablação endometrial reduz a chance de mulheres com menstruação intensa precisarem depois de uma histerectomia.
O estudo
- O MIRA2 incluiu 715 mulheres com sangramento menstrual intenso em 34 hospitais da Holanda, acompanhadas por dois anos.
- Metade recebeu o DIU hormonal logo após a ablação; a outra metade fez apenas a ablação.
- Após dois anos, cerca de 4% do grupo com DIU precisou de histerectomia, contra 10% do grupo só com ablação.
Outros achados
- Aos seis meses, mais mulheres do grupo com DIU não menstruavam mais (59% vs 46%).
- Menos precisaram de medicação extra para o sangramento em dois anos (6% vs 16%).
- Aos dois anos, menos relataram cólica menstrual cíclica (17% vs 25%).
Segundo o comunicado, o sangramento menstrual intenso afeta cerca de 30% das mulheres em idade reprodutiva em países europeus, e cerca de uma em cada dez ainda precisa de histerectomia nos dois anos após a ablação.
Limitações
O estudo foi aberto — pacientes e médicos sabiam qual tratamento foi dado —, o que pode influenciar os sintomas relatados e decisões sobre nova cirurgia. Foi feito em um só país e acompanhou as pacientes por apenas dois anos. Os autores observam que efeitos colaterais do DIU foram comuns e podiam levar à retirada, o que deve entrar no aconselhamento. Quem considera esses procedimentos deve conversar com seu ginecologista.
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