Um ano extra de escola obrigatória no Reino Unido foi seguido de menos diagnósticos de demência décadas depois, diz estudo
Usando como experimento natural uma reforma britânica dos anos 1970 que elevou a idade mínima para deixar a escola de 15 para 16 anos, pesquisadores encontraram menor incidência de demência entre os afetados, sobretudo com alto risco genético. O acompanhamento foi só até os 65 anos.
Um estudo publicado em 23 de outubro de 2026 na PNAS e financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH) oferece o que os NIH chamam de talvez a evidência mais forte até agora de que a educação pode reduzir o risco de demência a longo prazo. Foi liderado por pesquisadores da Universidade de Wisconsin–Madison e da Universidade do Sul da Califórnia.
O experimento natural
Uma reforma britânica elevou a idade mínima para deixar a escola de 15 para 16 anos para nascidos após 1º de setembro de 1957, aumentando em 14% a parcela que ficou na escola até os 16. Como só a data de nascimento definia quem era afetado, comparar nascidos logo antes e logo depois funciona como um experimento natural. A equipe analisou dados de mais de 100 mil participantes do UK Biobank, com diagnósticos de históricos médicos, registros hospitalares e de óbito.
Resultados
- Segundo os NIH, o ano extra de escola reduziu a incidência de Alzheimer e demências relacionadas nos 50 anos seguintes em 0,88% — um efeito considerável, já que a demência era rara nesse grupo relativamente jovem.
- O efeito foi maior entre portadores de variantes genéticas que elevam o risco de demência.
- A reforma também foi associada a melhorias socioeconômicas e de outros indicadores de saúde, sugerindo possíveis mecanismos.
Limitações
A comparação principal usou diagnósticos feitos antes de dezembro de 2022, quando os participantes mais velhos completaram 65 anos — antes da idade em que a maioria das demências surge. Os autores alertam que as diferenças podem aumentar ou diminuir com o envelhecimento da coorte. Além disso, os voluntários do UK Biobank são mais saudáveis e ricos que a população geral, e os resultados de uma reforma britânica podem não valer para outros países.
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