Estudo LITMUS na The Lancet: exames de sangue e de imagem detectam com confiabilidade fibrose hepática avançada na gordura no fígado, reduzindo a necessidade de biópsia
Em mais de 1.500 pacientes, SOMAScan, elastografia por RM e escores baseados em FibroScan detectaram melhor a fibrose avançada e a cirrose; um exame barato de gama-GT superou o difundido FIB-4 como primeiro passo.
A doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) atinge até um em cada três adultos no mundo. Saber o quanto ela avançou costumava exigir biópsia hepática. Dois estudos do consórcio europeu LITMUS, publicados em 29 de outubro de 2026 na The Lancet e na Nature Medicine, avaliaram quais testes não invasivos podem substituí-la.
Os estudos
- LITMUS Study (The Lancet): estudo prospectivo e multicêntrico de acurácia diagnóstica que comparou exames de sangue e rigidez hepática por ultrassom com biópsias lidas por especialistas em mais de 1.500 pacientes.
- LITMUS Imaging Study (Nature Medicine): RM avançada e elastografia em mais de 350 pacientes.
Principais achados
- Para fibrose avançada e cirrose, os mais precisos foram o painel proteômico SOMAScan, a elastografia por RM e ferramentas baseadas em FibroScan (incluindo o escore Agile 3+).
- Os exames ELF e ADAPT também superaram os limiares pré-definidos para cirrose.
- Para a “MASH de risco”, grupo buscado pelos ensaios de medicamentos, só o SOMAScan atingiu o limiar — por isso a biópsia deve continuar necessária para entrar em ensaios por ora.
- Um exame simples e barato de gama-GT superou o muito usado FIB-4 como teste inicial.
Os autores propõem um fluxo: gama-GT primeiro, depois ELF ou FibroScan, e imagem avançada na atenção especializada. “Para fibrose avançada e cirrose, agora temos ferramentas boas o bastante para usar com real confiança”, disse o coautor sênior, professor Quentin Anstee (Universidade de Newcastle).
Limitações
São estudos de acurácia diagnóstica em relação à biópsia, que é um padrão de referência imperfeito; os pacientes vieram principalmente de centros especializados, então o desempenho na atenção primária pode ser diferente; o fluxo proposto ainda precisa de validação; e alguns testes (SOMAScan, elastografia por RM) são caros ou pouco disponíveis. Converse com seu médico sobre exames do fígado.
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