Passarelas de Milão e Paris brilham enquanto abrandamento do luxo se aprofunda
A Kering apagou os ganhos desde que Luca de Meo assumiu há um ano; a LVMH cai 37% em 2026 até à data. O presidente da Tod’s, Diego Della Valle, falou num provável “período de contenção” este ano e no próximo.
Desfiles reluzentes em Milão e Paris mascaram um abrandamento do luxo que agrava, com a inflação ligada à guerra no Médio Oriente a apertar orçamentos e a procura aspiracional de malas a esmorecer, segundo a Reuters via The Star na sexta-feira, 25 de setembro de 2026.
Pressão de mercado
As ações da Kering, dona da Gucci, apagaram todos os ganhos desde que o CEO Luca de Meo assumiu há um ano. A LVMH, o maior grupo de luxo, cai 37% desde o início de 2026. O presidente da Tod’s, Diego Della Valle, disse a 18 de setembro em Milão que este ano e o próximo serão provavelmente um “período de contenção” enquanto o mercado estabiliza.
Desfiles caros e polarização
Especialistas estimam que um desfile pode custar até cerca de 10 milhões de euros. A Bain e outras consultoras verificam que a classe média gasta menos em luxo, intensificando a concorrência pelos clientes mais ricos. As marcas continuam a investir em lojas, serviços e experiências exclusivas apesar da queda de vendas. Federico Bazzani (Deloitte) disse que crescem menos de metade das marcas; a escolha é investir em inovação, experiência e relevância cultural — ou rever preços e aceitar margens menores.
Vozes de Milão
A Prada abriu a Semana da Moda de Milão na terça-feira, 22 de setembro, e renovou a flagship com espaços privados para grandes clientes. O consultor londrino David Watts disse que fortes subidas de preços tornaram mesmo os ricos mais atentos ao valor. Renzo Rosso (OTB/Diesel) disse a 21 de setembro que os consumidores priorizam wellness, saúde, longevidade, hotéis e restaurantes, e não vê recuperação iminente.
Calendário e Chanel
Esta semana em Milão: Gucci, Dolce & Gabbana e Armani. Paris começa a 28 de setembro (Dior, Louis Vuitton). A Chanel (desenhos de Matthieu Blazy) apresenta S/S 2027 a 5 de outubro. Em separado, a CEO da Chanel, Leena Nair, disse que continuará a investir na China a longo prazo; Plaza 66 em Xangai renovada. Dados Bloomberg/Business Times (24 set.): vendas comparáveis H1 ~+16% incluindo China; vendas 2025 +1,8% para 19,3 mil milhões de dólares; região China ~48% das receitas.
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