Remédios ‘multivalentes’ de longa ação contra a gripe aglutinam vírus e superam antivirais atuais em camundongos
Pesquisadores chineses ligaram duas ou três cópias dos antigripais zanamivir ou peramivir a um fragmento de anticorpo. Em estudo na Nature Communications publicado em 4 de outubro de 2026, a versão trivalente com peramivir superou o baloxavir e o candidato de longa ação CD388 contra várias cepas em camundongos. Ainda não há dados em humanos.
Um estudo publicado na Nature Communications em 4 de outubro de 2026 descreve uma nova forma de criar remédios contra a gripe de longa duração. O trabalho foi liderado por pesquisadores da Academia de Ciências Médicas Militares, em Pequim, com a Universidade de Xiamen, a Universidade Tsinghua e a Universidade de Hong Kong, entre outras.
A ideia
Antigripais como zanamivir e peramivir bloqueiam a neuraminidase, enzima que o vírus usa para se libertar das células infectadas. Uma classe mais recente de medicamentos liga um fármaco de pequena molécula à região Fc de um anticorpo, o que o mantém muito mais tempo no organismo; um desses candidatos em desenvolvimento se chama CD388. Os autores queriam entender como a ligação ao Fc muda o funcionamento do fármaco.
O que encontraram
- Com uma plataforma modular de “química click”, criaram conjugados antivirais (AVC) com uma, duas ou três cópias de zanamivir no Fc. A versão trivalente, AVC-Z3, foi a mais ativa.
- O AVC-Z3 fez as partículas virais grudarem umas nas outras em aglomerados, impedindo tanto a entrada do vírus nas células quanto sua liberação — uma imobilização física do vírus, e não apenas bloqueio enzimático.
- Uma versão trivalente de peramivir, o AVC-P3, foi ainda mais potente em laboratório e durou muito mais no organismo que o AVC-Z3 e uma forma modificada do CD388.
- Em camundongos infectados com H1N1, H3N2, H5N1 (gripe aviária) e influenza B, o AVC-P3 funcionou melhor que os demais conjugados, que o remédio aprovado baloxavir e que o CD388.
Limitações
Os resultados vêm apenas de experimentos com células e modelos em camundongos; ainda não há dados em humanos sobre segurança, dose ou eficácia, e muitos remédios que funcionam em camundongos falham em pessoas. As comparações foram feitas pela própria equipe desenvolvedora. O trabalho foi financiado por verbas nacionais chinesas, e os autores declaram não ter conflitos de interesse. Se confirmada em ensaios clínicos, a abordagem pode levar a tratamentos ou prevenção da gripe mais duradouros, mas isso ainda levará anos. Para se proteger da gripe hoje, converse com seu médico sobre vacinação e antivirais aprovados.
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