Desmaio sem causa clara: adesivo de ECG de 14 dias colocado na emergência achou mais que o dobro de arritmias, mas não reduziu novos desmaios, mostra ensaio no NEJM
No ensaio britânico ASPIRED, com 2.234 pacientes, a monitorização imediata de 14 dias detectou arritmias clinicamente relevantes em 22,0% contra 9,0% no cuidado padrão; os desmaios relatados pelos pacientes em um ano não diferiram significativamente.
Muitas pessoas que chegam à emergência após um desmaio (síncope) saem sem explicação clara. Um problema de ritmo cardíaco pode ser a causa e passar despercebido. O ensaio ASPIRED, publicado no New England Journal of Medicine (edição impressa de 29 de outubro de 2026; resultados apresentados primeiro no congresso da ESC em agosto), testou se colocar um adesivo de ECG ambulatorial de 14 dias na primeira visita ajuda.
O estudo
- Desenho: ensaio randomizado aberto em 45 hospitais do Reino Unido, financiado pela British Heart Foundation e pelo NHS Research Scotland.
- Pacientes: 2.234 adultos com síncope sem explicação após avaliação na emergência (idade média 58,3); 1.123 receberam o adesivo e 1.111 o cuidado padrão.
- Desfecho principal: número médio de desmaios relatados pelo paciente em 1 ano.
Resultados
- Sem diferença significativa no desfecho principal: 1,37 contra 1,58 episódios (razão de taxas 0,89; P=0,42). Cerca de 28% em cada grupo desmaiou de novo.
- Arritmias clinicamente relevantes em 22,0% contra 9,0% (odds ratio 2,95), detectadas mais cedo (mediana 22 contra 54,5 dias).
- Mais pacientes iniciaram tratamento antiarrítmico (10,8% contra 7,3%) ou receberam marca-passo (6,8% contra 4,6%).
- Mortalidade por todas as causas em 1 ano: 1,5% contra 2,9% (odds ratio 0,50), um achado secundário.
- Eventos adversos: 49 contra 8, com um grave em cada grupo.
Limitações
O ensaio foi aberto e o desfecho principal dependeu de episódios autorrelatados; 264 pacientes randomizados não deram seguimento e ficaram fora da análise principal. A menor mortalidade é um desfecho secundário com poucos eventos e deve ser vista como geradora de hipóteses, não como prova. O estudo foi feito no NHS britânico. Quem tem desmaios deve conversar com o médico sobre os exames.
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