Terapia gênica com 'regulador' por remédio reduziu crises em mais de 90% em três pessoas com epilepsia resistente
Um ensaio clínico bem inicial publicado no NEJM levou um gene ao foco das crises no cérebro, tornando os neurônios sensíveis a um medicamento. As crises mensais caíram mais de 90% nos três participantes, sem efeitos graves, segundo a Nature — mas o estudo é minúsculo.
Pesquisadores liderados pelo neurocirurgião Yang Dai, do Hospital Xuanwu da Universidade Médica da Capital (Pequim), publicaram em 4 de novembro de 2026 no The New England Journal of Medicine um ensaio inicial de terapia gênica quimiogenética para epilepsia, informou a Nature.
Como funciona
- Um vírus (vírus adenoassociado 9) leva um gene diretamente à pequena área do cérebro onde as crises começam.
- O gene atua em neurônios excitatórios, os envolvidos nas crises, e os torna sensíveis a um medicamento específico.
- O remédio funciona como um dimmer: dá para ajustar a força do efeito, o que outras terapias gênicas não permitem. Neste ensaio o remédio foi o antipsicótico clozapina.
Participantes
Três adultos com epilepsia causada por esclerose hipocampal (cicatriz) de um lado do cérebro. Diagnosticados havia 10–25 anos, resistentes a pelo menos dois anticonvulsivantes e com pelo menos duas crises por mês, em média, antes de entrar no estudo.
Resultados
Em cada participante, as crises mensais caíram mais de 90%. Não foram relatados efeitos colaterais graves.
Limitações
- Tipo: ensaio clínico inicial com apenas três participantes e sem grupo controle — pouquíssimo para avaliar segurança ou eficácia.
- O neurologista independente Matthew Walker (University College London) chamou o efeito de empolgante, mas destacou o tamanho reduzido e se preocupou com o uso prolongado de clozapina, associada em doses altas a problemas cardiovasculares e outros. Walker é cofundador da Focalis Bio, que também desenvolve terapias gênicas para epilepsia.
É pesquisa experimental, não um tratamento disponível. Pessoas com epilepsia devem discutir as opções com seu médico.
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