The Lancet: mitapivat oral aumenta a hemoglobina na doença falciforme, mas não reduz significativamente as crises de dor
No ensaio de fase 3 RISE UP, com 207 doentes, 41% dos que tomaram mitapivat tiveram uma subida relevante da hemoglobina contra 3% com placebo. O segundo objetivo principal — menos crises de dor — não foi atingido.
A The Lancet publicou os resultados completos do RISE UP, um ensaio de fase 3, em dupla ocultação, aleatorizado e controlado com placebo do mitapivat, um fármaco oral da Agios, na doença falciforme. O mitapivat ativa a enzima piruvato quinase nos glóbulos vermelhos, com o objetivo de aliviar a anemia hemolítica e reduzir a falciformação.
O ensaio
- 207 doentes com mais de 16 anos, com anemia e crises de dor recorrentes, em 69 centros de 15 países, foram distribuídos 2:1 para mitapivat 100 mg duas vezes por dia (138) ou placebo (69).
- Hemoglobina: 41% (56 de 138) no grupo mitapivat tiveram resposta (subida média de pelo menos 1,0 g/dL entre as semanas 24 e 52) contra 3% (2 de 69) com placebo — diferença estatisticamente significativa.
- Crises de dor: a taxa anual foi de 2,6 com mitapivat e 3,1 com placebo, mas a diferença não foi estatisticamente significativa (p=0,12), pelo que este objetivo coprimário não foi cumprido.
- Segurança: houve eventos adversos graves em 20% com mitapivat e 29% com placebo; um foi considerado relacionado com o tratamento.
Limitações e próximos passos
A hemoglobina é um marcador laboratorial; o ensaio não mostrou redução significativa das crises dolorosas, o que mais importa aos doentes. O seguimento foi de cerca de um ano, a extensão aberta continua. A Agios procura uma aprovação acelerada nos EUA, que exigiria um ensaio confirmatório. O mitapivat não está aprovado para a doença falciforme; os doentes devem discutir opções com o seu hematologista.
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