O local do eletrodo importa: estimulação da área do ramo esquerdo reduziu eventos de insuficiência cardíaca frente à estimulação do ventrículo direito em ensaio no JAMA
No ensaio randomizado LEAP-Block, com 499 pacientes com bloqueio AV e função cardíaca preservada, o desfecho combinado de morte, insuficiência cardíaca ou troca para estimulação biventricular em 24 meses foi de 2,4% com LBBAP contra 12,5% com estimulação do ventrículo direito.
Pacientes com bloqueio atrioventricular (AV) muitas vezes precisam de um marca-passo que estimule os ventrículos na maior parte do tempo. A posição habitual do eletrodo no ventrículo direito (RVP) ativa o coração de forma não fisiológica e pode, com o tempo, aumentar o risco de insuficiência cardíaca. A estimulação da área do ramo esquerdo (LBBAP) posiciona o eletrodo para aproveitar o sistema de condução do próprio coração. O ensaio LEAP-Block, publicado no JAMA em 28 de outubro de 2026, comparou as duas abordagens.
O estudo
- Desenho: ensaio multicêntrico, randomizado e controlado de superioridade em 14 hospitais na China, com avaliação cega dos desfechos.
- Pacientes: 499 randomizados (482 na análise principal), idade média de 67 anos, todos com bloqueio AV, fração de ejeção preservada (≥50%), ritmo sinusal e estimulação ventricular esperada acima de 40%.
Resultados em 24 meses
- Desfecho primário combinado (morte por qualquer causa, eventos de insuficiência cardíaca ou troca para estimulação biventricular): 2,4% contra 12,5% (P = 0,003); incidência de Kaplan-Meier 5,0% contra 13,2% (razão de risco 0,37).
- A diferença veio principalmente dos eventos de insuficiência cardíaca: 3,4% contra 11,3%. Morte, trocas para biventricular, complicações do dispositivo e cardiomiopatia induzida por estimulação não diferiram significativamente.
- O sucesso do implante foi semelhante (97,9% contra 99,6%).
Limitações
O ensaio não tinha poder para avaliar cada componente separadamente; o seguimento foi de 24 meses; a LBBAP usou um eletrodo sem lúmen, então os resultados podem não valer para eletrodos com estilete; pequenas exclusões após a randomização podem introduzir viés; e todos os centros ficavam na China, com operadores experientes. Qual técnica é adequada a cada paciente é decisão do seu cardiologista.
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